Prá quem mora em Santos esse é um fim de semana cheio:
Sexta-feira tem os irmãos do Futuráfrica trazendo os cariocas do Digital Dubs pela merreca de $10 no Terreiro Digital, ali na João Pessoa, 233. Já no sábado, a partir das 13h, os talentos do Percutindo Mundos e nós da Action estaremos na Casa da Frontaria Azulejada, pela Virada Cultural Paulista, com uma exposição inédita, que sequer tem em algum lugar nas internets. Para finalizar, das 23h as 1h, vamos discotecar no Terreiro Digital, pela Virada Ilegal Santista, com os parceiros da Reggay420 e Sicilians Sound System. Depois ainda vai rolar Big Nitrons, Esquadrão do Preto Velho etc etc. Cheque a programação inteira aqui. Essas duas últimas são entrada 0800.
Sem contar, obviamente, a comemoração da vitória de mais um título paulista pela máquina que é o alvinegro praiano, no domingo. Portanto, quem estiver de bobeira, cola pra Santos que os próximos dias estão bala.
Essa semana foi anunciada a programação da Virada Cultural em São Paulo. Pouca gente comentou da presença de Manley Augustus Buchanan, o Big Youth. Quando existe a chance de assistir um medalhão da música, sempre rola uma certa insegurança dos mais saudosistas, ainda mais com o reggae, em que muitos músicos cairam num meio comum em sua produção pós 80. A boa notícia é que o cara entrou no século 21 com pé direito. Seu último disco, “Musicology”, não abusa dos riddims digitais e conta com um lineup de responsa, como o lendário Sly Dumbar na bateria.
O deejay, que já teve disco produzido por Prince Buster e Joe Gibbs, é marcado pelos vocais arrastados e criatividade nas tracks. Começou trampando como mecânico, e enquanto trabalhava, fazia toasting. Ganhou alí o apelido que o acompanhava até hoje. Um dos seus primeiros hits, “S-90 Skank”, teve a moto favorita dos jamaicanos colocada num estúdio para servir de intro na track. Genial. Também é conhecido pelo seu inesquecível cover de “Hit the road Jack”, de Ray Charles, em que dá um ar debochado para o standard de soul. Em 1973, lançou “Screaming Target”, para muitos, um clássico do toasting e que versa sob músicas de Gregory Isaacs e outros reggaemen da época.
Ainda na década de 70, Big Youth chegou a ter sua própria label onde lançou alguns discos, geralmente usando riddims de caras com quem já havia trampado, como Bunny Wailer. No cast, a presença do Soul Syndicate, session band que tinha Leroy “Horsemouth” Wallace entre os membros. Com a banda, lançou um novo disco, dessa vez produzido por ele próprio. Daí em diante, foi moldando cada vez mais seu estilo cantor, perdendo um pouco a pompa deejay que o deixou famoso no passado. Nos anos seguintes, foi perdendo espaço para os novos deejays e com o difícil panorama musical e social na Jamaica, mudou-se para a Inglaterra, onde nunca conseguiu o mesmo destaque que conseguira na ilha caribenha. Nesse meio tempo, chegou a lançar um disco de pouco sucesso pela major Virgin e aparecido no filme Rockers, quase na entrada dos anos 80
A pergunta que fica é: o que esperar de Big Youth na Virada Cultural? Como todo jamaicano, a imprevisibilidade é algo que impede de se fazer qualquer tipo de análise com alguma certeza. O disco “Musicology”, que foi lançado em 2006, deve ter um espaço maior no set. O que não é algo ruim. O disco tem bons momentos, como no cover “Three Blind Mice”, a sensacional “Sow Good Seeds”-com hammond e tudo- e a lenta “Joy”, em que Youth faz um pouco de toasting. Não é um disco exuberante, mas tem qualidade e não mancha a carreira do artista. No alto dos seus 61 anos, fica difícil fazer o que fazia há 30 anos atrás e a gente entende. Mas uma coisa é certa, o deejay não virá a São Paulo a passeio.