O que esperar de Big Youth na Virada Cultural?

big youthEssa semana foi anunciada a programação da Virada Cultural em São Paulo. Pouca gente comentou da presença de Manley Augustus Buchanan, o Big Youth. Quando existe a chance de assistir um medalhão da música, sempre rola uma certa insegurança dos mais saudosistas, ainda mais com o reggae, em que muitos músicos cairam num meio comum em sua produção pós 80.  A boa notícia é que o cara entrou no século 21 com pé direito. Seu último disco, “Musicology”, não abusa dos riddims digitais e conta com um lineup de responsa, como o lendário Sly Dumbar na bateria.

O deejay, que já teve disco produzido por Prince Buster e Joe Gibbs, é marcado pelos vocais arrastados e criatividade nas tracks. Começou trampando como mecânico, e enquanto trabalhava, fazia toasting.  Ganhou alí o apelido que o acompanhava até hoje. Um dos seus primeiros hits, “S-90 Skank”, teve a moto favorita dos jamaicanos colocada num estúdio para servir de intro na track. Genial. Também é conhecido pelo seu inesquecível cover de “Hit the road Jack”, de Ray Charles, em que dá um ar debochado para o standard de soul.  Em 1973, lançou “Screaming Target”, para muitos, um clássico do toasting e que versa sob músicas de Gregory Isaacs e outros reggaemen da época.

Ainda na década de 70,  Big Youth chegou a ter sua própria label onde lançou alguns discos, geralmente usando riddims de caras com quem já havia trampado, como Bunny Wailer. No cast, a presença do Soul Syndicate, session band que tinha Leroy “Horsemouth” Wallace entre os membros. Com a banda, lançou um novo disco, dessa vez produzido por ele próprio. Daí em diante, foi moldando cada vez mais seu estilo cantor, perdendo um pouco a pompa deejay que o deixou famoso no passado. Nos anos seguintes, foi perdendo espaço para os novos deejays e com o difícil panorama musical e social na Jamaica, mudou-se para a Inglaterra, onde nunca conseguiu o mesmo destaque que conseguira na ilha caribenha. Nesse meio tempo, chegou a lançar um disco de pouco sucesso pela major Virgin e aparecido no filme Rockers, quase na entrada dos anos 80

A pergunta que fica é: o que esperar de Big Youth na Virada Cultural? Como todo jamaicano, a imprevisibilidade é algo que impede de se fazer qualquer tipo de análise com alguma certeza. O disco “Musicology”, que foi lançado em 2006, deve ter um espaço maior no set. O que não é algo ruim. O disco tem bons momentos, como no cover “Three Blind Mice”, a sensacional “Sow Good Seeds”-com hammond e tudo- e a lenta “Joy”, em que Youth faz um pouco de toasting.  Não é um disco exuberante,  mas tem qualidade e não mancha a carreira do artista.  No alto dos seus 61 anos, fica difícil fazer o que fazia há 30 anos atrás e a gente entende. Mas uma coisa é certa, o deejay não virá a São Paulo a passeio.

A história dos bailes black em São Paulo

CHIC SHOW
Sensacional esse documentário que aborda a história dos bailes black na capital.  Vários depoimentos fodas de verdadeiros ícones da cultura negra em São Paulo. Luizão da Chic Show, Pedrão da Equipe Funk e vários outros bambas do movimento. O bacana é que são depoimentos que humanizam e mostram como as coisas eram feitas. Nada de glamour ou coisa parecida, é  história de gente trabalhora e que buscava um modo de se divertir e sair da rotina,  tudo com respeito e amizade. Emociona ver os footages dos bailes nos anos 60 até o auge nos anos 70 e 80. É uma produção riquíssima, não só pelas imagens e pelos depoimentos, mas pela ponte que faz com o nascimento da cultura Hip Hop e que deu origem a gente como Thaíde, Dj Hum, Racionais e muitos outros que engrandecem cada vez mais a música negra da terra da garoa.