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Depois de uma década dourada para a Motown e Berry Gordy Jr, o céu era o limite para a label, que contava com um cast invejável capitaneado por Stevie Wonder e Marvin Gaye. As experiências com o soul psicodélico dos Temptations davam frutos e rendiam sucessos nas paradas. Porém, para o ambicisioso Gordy, era pouco – faltava conquistar o outro lado da costa americana. Empreendedor, criou a Mowest, uma filial da gravadora em Los Angeles. Com catálogo pequeno, misturava apostas como Commodores e Thelma Houston e gente consolidada, destacando-se Frank Valli e G.C Cameron dos Spinners. Parecia a receita perfeita para o sucesso.

A sonoridade do catálogo tinha uma pegada mais suave do que era geralmente produzido pela Motown. Pelo jeito a brisa costeira e o sol escaldante influenciaram as produções. Sons como You’re a song (That i can’t sing) de Frank Valli e I hope i see it in my lifetime do grupo Lodi misturavam soul com uma levada folk, até meio hipponga. Outra jóia do selo era Syretta, mulher de Stevie Wonder na época. A influência da cantora vinha diretamente do músico, com sintetizadores e vocais se dissipando em meio aos arranjos. O Motown sound, marca registrada da gravadora-mãe ainda aparecia, mesmo que de leve, em gente nova como a nipo-americana Suzee Ikeda e a banda Odissey, que não é aquela que você tá pensando.

Entretanto, o selo teve vida curta; estabelecido em 1971, a Mowest fechou as operações dois anos depois. Perdido na história, sua importância é grande. Serviu de transição para que a Motown se mudasse definitivamente para Los Angeles e continuasse a operar e produzisse Rick James, os Jacksons, Commodores e todos os responsáveis por continuar o legado da gravadora de ser conhecida como a fábrica dos hits. A coletânea Our lives are shapped by what we love: Motown’s Mowest story 1971-1973, lançada há pouco tempo pela Light in the Atic, conta um pouco desse período tão bacana na história da música negra.