10 músicas com Fender Rhodes que você deveria escutar

O Rhodes é um piano que ajudou a moldar o soul, funk e jazz que surgiram na metade da década de 70. Graças a caras como Stevie Wonder, Herbie Hancock e até Marcos Valle, se formos falar do Brasil, o instrumento nascido em 1942 até hoje é sinônimo de música com groove. O pessoal do Roy Ayers Project compilou uma lista comentada com dez músicas imperdíveis que tem o querido Rhodes como ator principal. Clica aqui para ler e escutar.

As mais belas baladas do soul brasileiro – parte 2

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Já dizia Tim Maia: “metade de minhas músicas é esquenta-sovaco e metade mela-cueca”. Quem é que não curte uma boa fossa? Deixamos de lado as músicas dançantes e escolhemos só o que há de mais lento e dramático na soul music nacional. Música de fossa, para dançar abraçadinho, ou para ficar ouvindo enquanto toma um goró. Não importa. Tem que ser balada e tem que ter alma. Em duas partes, hoje publicaremos a segunda. Ah, e logo abaixo, um player com as faixas contidas na post para serem ouvidas. Para ver a primeira, clique aqui.

Toni Tornado – Uma idéia

“Quando eu nasci / vim sem pedir / antes eu fui uma idéia / só uma idéia de minha mãe um pai / de construir alguém que só soubesse amar”. Dá até um nó na garganta falar de uma música com uma introdução desta. Uma idéia faz parte do disco mais conhecido de Tornado, aquele de 72 cuja capa de tons avermelhados e o mestre portando seu icônico afro. A música é daquelas que poderiam ter virado hino de uma geração, com piano e voz num crescendo apoteótico na junção de bateria e metais – emotion at it’s finest.

Eduardo Araújo – Você

Em 69 o mundo estava passando por grandes e maravilhosas transformações. No Brasil também, com o tardio sepultamento da Jovem Guarda e a maioria dos seus artistas tendo debandado para outros caminhos. Nesse ano Eduardo Araújo lançou, sob a tutela do Mr Maia, o primeiro disco de soul do país – A onda é o boogaloo. Buscava referências da Stax e da Motown, as duas grandes do gênero, prá concepção do som. A mistura dessas duas escolas trouxe uma produção inédita para cá e, além da faixa título, a Você composta pelo Tim, ganhou ares sofridos com ajuda do timbre pesado do vocalista. Os arranjos ainda tinham um teco de Jovem Guarda, mas apesar disso deram o pontapé inicial para o soul brasileiro.

Arnaud Rodrigues – Conscachá, Firmará (Magnífica)

A mistura sonora arquitetada pelo saudoso Arnaud Rodrigues em seus discos é única como sua trajetória – que já foi até redator no programa do Chico Anysio. A coisa fica ainda mais evidente no long play Murituri, de 74. Na balada Conscachá, Firmará (Magnífico), a arte das quatro linhas vem numa melodia que leva o soul a tira colo num bem arranjado samba jazz. E a coisa toda orquestrada pelo MESTRE Verocai, um dos homens mais classudos a pisar no mundo.

Miguel de Deus – Fabrica de Papéis

O black soul brother Miguel de Deus, que havia tocado na lendária banda tropicalista Os Brazões, rumou para black music e produziu um disco repleto de pedradas. Mas a lenta Fábrica de papéis é suave, tem um piano Rhodes presente por toda a música e belos backing vocals femininos. Talvez seja a balada black mais difícil de se arranjar. O vinil lançado em 1977 é encontrado pela bagatela de U$300 nas lojas especializadas.

Fábio – A cidade sem você

Um dos pioneiros do soul no Brasil, o cantor Fábio, ironicamente, é paraguaio. Imigrou cedo pra cá e se tornou amigo do Tim, com quem, junto com Hyldon e Cassiano, fez uma das maiores parcerias da black music nacional. O profeta do soul foi alavancado pelo mil-utilidades Carlos Imperial no início, mas se enveredou por umas trilhas escusas, com pegadas hippie e disco music depois do seu primeiro disco, seu maior sucesso, que mesclava lisergia e arranjos do maestro Pachequinho na virada da década de 60, estação favorável a esse tipo de som. Apesar das boas baladas, Cidade sem você era a vitrine do talento, numa track de saudade e solidão que abusava dos metais e de captação de som ambiente, coisa incomum pra época.

Marcos Valle – Black is beautiful

Marcos Valle, reconhecido pelo seu suingue, continuou a tornar seu som cada vez mais black com o lançamento de Garra, em 1971. Largou de vez a bossa da década anterior e injetou melanina importada da América para este disco. Com faixas cada vez mais influenciadas pelo soul, junto com seu irmão Paulo Sérgio Valle, deu um tapa na cara dos racistas homenageando os negros da epoca. Singela e bonita, a canção repete em vários momentos “black is beautiful / black is beautiful / black’s beauty is so peaceful / i wanna a black, so beautiful”.

Tim Maia & Elis Regina – These are the songs

Para finalizar, outra raridade. Segundo lançamento em disco de Tim, um compacto simples de 69 pela Fermata, These are the songs trazia uma participação muito especial, a de Elis Regina. Descoberto por Elis após compor Não vou ficar para Roberto Carlos, a cantora gaúcha o convidou para o dueto que acabou virando o lado A do 7″ que também continha What you want to bet. O resultado é um canto-resposta bem bolado, onde ambos esbanjam brasilidade. Ideal para embalar aquele namorico de portão.

As mais belas baladas do soul brasileiro – parte 1

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Já dizia Tim Maia: “metade de minhas músicas é esquenta-sovaco e metade mela-cueca”. Quem é que não curte uma boa fossa? Deixamos de lado as músicas dançantes e escolhemos só o que há de mais lento e dramático na soul music nacional. Música de fossa, para dançar abraçadinho, ou para ficar ouvindo enquanto toma um goró. Não importa. Tem que ser balada e tem que ter alma. Em duas partes, hoje publicaremos a primeira. Ah, e logo abaixo, um player com as faixas contidas na post para serem ouvidas.

Tony Bizarro – Nesse Inverno

Falar de black no país é falar, mesmo sem querer, da fervilhante cena carioca dos anos 70. Contudo, poucos são os que lembram os bailes paulistas e sua importância na decorrência do rap. Tony Bizarro, um autêntico representante de São Paulo, mostrou com Nesse Inverno, o soul com sotaque paulistano. A música, presente no disco homônimo lançado em 1977, embalou os bailes da Chic Show, a maior equipe de som de São Paulo. Com Ivan Mamão Conti, e a dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti na banda de apoio, utiliza todo o grave e rouco vocal pra cantar desejos românticos. Somando isso aos arranjos de cordas e teclado, era a trilha sonora para dançar colado com a menina. Uma curiosidade sobre o processo de produção do disco, é que foi feita na calada da noite, sem que ninguém da direção da gravadora soubesse. O soulman foi demitido do cast, mas o diretor da Columbia, espantado pela qualidade da produção, acabou lançando o LP.

Renata Lu – Folhas de Outono

São poucas as mulheres que se arriscaram a cantar soul no Brasil. Um bom exemplo disto é Renata Lu. Pouco conhecida, a cantora se lançou nesse ritmo lançando Folhas de Outono em 71. Os arranjos de violino viraram base ideal para a vocalista cantar uma das letras mais bacanas do gênero. Composta por Hélio Matheus e Márcio Alexandre, possui trechos como: “sou como um pássaro triste / que não quer voar / uma folha de outono perdida no ar / você foi o vento, mudou meu lugar / e agora já não sei dizer se eu te amo” que amolecem qualquer coração de pedra.

Cassiano – Castiçal

O soul no Brasil chegou quase no final da década de 60 e Cassiano um dos grandes nomes do ritmo por aqui. Desde a sua banda, Os Diagonais, o cantor foi um dos responsáveis pela sua divulgação e evolução ao longo dos anos. Seu disco de estréia na carreira solo, Apresentamos nosso Cassiano, de 73, é repleto de baladas, mas a Castiçal é seu hit. Densa e com produção bastante influenciada pelo orquestrado soul da Filadélfia de Billy Paul, a canção é dramática: lamentos de uma vida solitária e o arrependimento por ter feito mal ao seu amor. a história se desenvolve até o momento da redenção, onde a faixa acelera junto com os violinos.

Arthur Verocai – Caboclo

Verocai foi resgatado depois de muitos anos de esquecimento. Também, seu disco lançado em 1972, não merecia estar nos porões da música brasileira. O maestro carioca, na época da produção, influenciado pelo funk e por Milton Nascimento, construiu uma sonoridade única. Este híbrido, para alguns especialistas estrangeiros foi chamado de brazilian soul. Caboclo, uma das faixas do seu primeiro LP, evoca o improviso e o sabor de interior dos discos de Milton e agrega à orquestração dos grandes maestros da música negra americana. Os vocais calmos de Verocai juntamente com a presença de um coro corroboram para o andamento soulful e doce da música.

Cláudia – Saber de amor

Cláudia é uma das poucas cantoras brasileiras que conseguiu misturar influências de soul ao samba. Carioca nascida na bossa nova, dona de uma voz potente e versátil, chegou a fazer tour até no Japão. O icônico álbum Você, Cláudia, Você lançado em 1971, mostra uma Cláudia ainda melhor do que aquela que havia vencido o Festival Internacional da Canção dois anos antes e dividiu a preferência do público com Elis. Num dos pontos altos do disco, a cadenciada Saber de amor mistura soul com toques de samba-canção nos arranjos.

Gerson King Combo – Foi um sonho só

Gerson Cortês, aka Gerson King Combo, fez parte da turma responsável por popularizar o soul e o funk e até hoje é considerado o rei dos bailes blacks cariocas. Excêntrico, merece esse título aristocrata – os grandes clássicos da época são assinados por ele. Foi em um som low tempo que conseguiu juntar a malemolência brasileira ao veludo vocal típico americano. Durante Foi um sonho só, Combo praticamente dita a letra em cima de uma batida imponente de baixo e coro feminino. A música ainda faria parte, em 77, da trilha sonora da novela Um sol maior, da TV Tupi.

Carlos Dafé – Tudo era lindo

Carlos Dafé faz jus àquela máxima de hardest working man in show business. Multi-instrumentista, trabalhou com uma extensa lista de músicos, com destaque para a banda Abolição e o pessoal do movimento black rio, onde foi um dos principais nomes. Ainda jovem e a serviço da marinha, conheceu todo o Caribe, onde pôde buscar referências musicais para o que produziria depois. E foi em 1977 com o disco Pra que vou recordar que Dafé faria sucesso. Tudo era lindo, presente no LP, tem acompanhamento da Banda Black Rio e uma profunda letra composta pelo soulman em conjunto com Jomari. Menção também para os corais gospel e a presença do órgão e do Rhodes encaixando perfeitamente na melodia.

Roberto Carlos – Uma palavra amiga

Roberto Carlos teve uma fase black inspiradíssima nos anos 70, com um arroubo de boas produções. Foi nesse período que o rei finalmente soltou a voz e evoluiu como cantor, deixando os vícios da Jovem Guarda para trás e mostrando também, além do seu lado romântico, o da fé. O disco de 1970 foi o primeiro a contar com letras com referências a religião. Composta pelo irmão de Gerson King Combo e um dos grandes parceiros de Roberto, Getúlio Cortês, Uma palavra amiga já se diferencia pela combinação entre o baixo e o trombone. Aliás, uma das pouquíssimas vezes que estes dois instrumentos fizeram dueto no soul nacional, algo mais comum nas produções da Motown na época.

Para a parte final desta matéria, clique aqui.

Mary Wells: she beats you to the punch

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texto originalmente publicado na Freakium

A história de Mary, Mary Esther Wells, nascida em 1943 em Detroit/Michigan, Estados Unidos, é envolta em uma áurea bela, congruente no que se diz respeito a como sempre será lembrada, na história do R&B e do pop mundial, como uma das mais importantes artistas do gênero.

Um praticamente “conto de fadas”, poderíamos dizer assim. À medida que surge, em 1961, na fabriqueta de sonhos chamada Motown, o arrebate de seus puppy little eyes e de sua voz, doce e flutuante à medida de um leve vigoroso sopro, causa estardalhaços particulares, daquelas palpitações que em vias de completar infinitas décadas de admiração aos que escutam, causou a mesma catarse em 64, quando “My Guy” invadia os ouvidos daqueles quais que fossem. Aos amorosos, aos rancorosos, aos ranzinzas, felizes, murrinhas e vidas, Mary Wells desaguou seu sabor vocal embutindo todo o imaginário Motown daquelas áureas décadas.

Mais ainda, foi uma das criadores do que viria a ser o som da Motown, e foi a primeira, estrela e glamour, a figurar no vasto e talentoso cast da gravadora como a cantora-garota dos sonhos de todos. Carrega ainda as glórias de destronar os Beatles nas paradas britânicas, e figurar em uma turnê com os quatro moleques de Liverpool, visto a admiração deles por Wells.

E tais como de longe não são poucas, mas à medida de que um início é fazer valer a vida toda, a seguir dez canções que fazem qualquer mortal desfrutar da beleza vocal e composições interpretadas pela senhorita Mary Wells. E sim, colocá-la em um importante patamar nessa gloriosa história, de infinitas décadas originadas pelos mais mágicos anos da Motown.

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10- “Laughing Boy”
1963
(Smokey Robinson)

Um grande sucesso nas paradas de R&B da cantora, “Laughing Boy” se inicia com uma peculiar introdução de guitarra (deixo a palavra à Pete Townshend), até rumar para um misto de clima havaiano com doo wop. Em letra, Mary Wells usa de uma interpretação ingênua e doce para emoldurar o cenário de um garoto triste, que a trocou por outra, e recém perdeu este amor. “Laughing Boy (ha ha ha ha ha)/That’s what they used to call you (…) She really must have hurt you/She really must have filled your heart with pain”, canta Wells, citando por minutos a fio todas as desgraças que a tal garotinha causou no moleque, em um misto de deboche (reforçado pelas marotas risadas) e, de certa forma, satisfação. Claro, arrebatando-o no final: “Don’t you know that it’s true, I still love you/Just as much as I did before/So Laughing Boy/Come on home, laughing boy”.

09- “Two Wrongs Don’t Make a Right”
1963
(Berry Gordy, Jr. / Smokey Robinson)

O lado B do compacto de “Laughing Boy” traz exatamente Mary Wells cantando o oposto: “I took your love and said goodbye/I stayed away, my darling, and made you cry/’Cause if you turn me away, all I can say/Is that two wrongs don’t make a right”, em um classudo arranjo.

08- “The One Who Really Loves You”
1962
(Smokey Robinson)

Certamente a sinceridade extrema era o mote de Smokey Robinson. Em “The One Who Really Loves You”, Mary versa a seu amor que realmente não vale a pena buscar outra garota além dela, afinal, ora, as outras não prestam. “Susie only wants you until the day/That she’ll again have her true love who’s far, far away (…) Ginnie only wants you ’cause she thinks she has to have everyone/Minnie only wants you ’cause she thinks that hurting me would be fun”, canta Mary, citando outras tantas razões que fazem tal garoto realmente não prestar para nada, e definitivamente ser apenas motivo de estepe amoroso ou recauchutagem emocional.

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07- “My World Of Dreams”
(Bob Hamilton)

Esta composição de Bob Hamilton, nunca lançada em disco até 1993, versa sobre o escape da locutora por intermédio da fácil solução do mundo dos sonhos. Do sono e tudo que isso pode possibilitar. Desatarrachar sua mente a algo que não está mais suportando. “At last I’ve got a remedy, an antidote for misery/The secret is within my mind, I’ve been-a gone-a any time/Now when the one I love makes me cry/And I feel like I wanna die/I stop for a moment/And close my eyes/And I just drift right along into my world of dreams”.

06- “Two Lovers”
1962
(Smokey Robinson)

Em “Two Lovers” Mary canta sobre o amor duplo, dúbio, fatalmente dividido, mas causado não por qualquer caminho óbvio de traição ou coisa que o valha, mas sim pelo fato do tal bem amado, este, existir em uma dupla personalidade, rapaz meio atribulado (“’Cause I say that I love two/But I really, really do/’Cause you’re a split personality/And in reality/Both of them are you”). Simpático.

05- “My Guy”
1964
(Smokey Robinson)

Música simples, simples demais, que por residir na simplicidade, é estrondoso perfeito discurso e canção, que genialmente declara o amor de uma garota à seu respectivo: “As a matter of taste/To be exact/He’s my ideal/As a matter of fact/No muscle bound man/Could take my hand/From my guy (…) He may not be a movie star/But when it comes to being happy/We are”. Sem mais. O verdadeiro amor, esse, de cara lavada e sem dever a ninguém, sem dever a todas as acusações acerca ao. Como tem de ser.

04- “You Lost the Sweetest Boy”
1963
(Lamont Dozier / Brian Holland / Eddie Holland)

Composta pelo trio de ouro da Motown, Holland/Dozier/Holland, “You Lost the Sweetest Boy” alcançou as paradas de sucesso com seu ritmo contagiante, a exemplo de todas as outras composições do trio, onde a prerrogativa é não ficar parado. Mary Wells também embarcou nessa, comparecendo com uma enorme energia, em uma letra de bobagens e alegretes felizes, no mesmo discurso de tratar garotos como bitucas de cigarro. Em clima de festa!

edicao6_marywellsmarvin03- “The Late Late Show” – com Marvin Gaye
(Alfred / Berlin)
1964

Em 1964, aproveitando a onda de sucesso das duas grandes estrelas e figurarem na época, a Motown resolveu reunir Marvin Gaye e Mary Wells para um disco, chamado Together. Nele, a dupla faz o papel de um casal apaixonado, puppy love mesmo, high school sweetheart ao extremo.

“The Late Late Show” é uma gostosa e açucarada bobagem amorosa, construída na dinâmica “Marvin canta-Mary canta-Marvin responde-Mary brilha”, tal mesmo como um casal em nuvens de plumas.

02- Prove It
(Bob Hamilton)

Outra pérola de Bob Hamilton, também nunca antes lançada. O jogo vocal dessa faixa é esplendorosa, tendo Mary Wells cantando um tema que se assemelha a “I Don’t Want to Take a Chance”, ainda clamando por provas de seu amor.

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01- You Beat Me To The Punch
1962
(Smokey Robinson)

Lançada em 1962, “You Beat Me To The Punch” traz o vocal mais perfeito, o que há de mais coeso entre o som da Motown, o pop e o R&B, essa suave voz que passeia por uma muito bem composta letra. Tratando dos artifícios de uma timidez, não essas pejorativas que pululam por aí, mas sim daquelas de tirar o fôlego, que torna impossível uma certeira aproximação na tal aglomeração que rotaciona o baque. De um tal pouquíssimo frutífero Smokey Robinson: “That day, I first saw you passing by/I wanted, to know your name but I was much too shy/But I was looking at you so hard/Until you must have had a hunch/So you came up to me and asked me my name/You beat me to the punch”.

Mas claro, há infelizes reviravoltas: “But I found out/Beyond a doubt/One day, boy/You were a playboy/Who would go away and leave me/Blue/So I ain’t gonna wait around for you to put me down/This time I’m gonna play my hunch/And walk away this very day”. Muito acima da posição de clássico, uma Polaroid do que Mary Wells foi.