texto originalmente publicado na Freakium

Em 1965 Lee Dorsey disponibilizava “Ride Your Pony”, uptempo soul com levada direta, eficiente, nascida para exercer a função de hit e literalmente rumar para a conquista de todo um mundo. Tal canção eventualmente se tornaria clássico, oriundo das terras de New Orleans, e despertaria um pessoal vindo das mesmas latitudes para esse breakground sonoro.

Composta por Allen Toussaint, conterrâneo de Dorsey e renomado produtor, músico e compositor, a conquista versou além terreno soul, e “Ride Your Pony” virou companhia leal de muitos grupos e cantores que enxergavam em seus quase três minutos de duração a síntese perfeita de ritmo-canção na explosão latente da época.

Com letra que cita demais locais americanos (“Way west, where the grass is green/California, you know what I mean/New York City and Detroit too/On to New Orleans, the home of the blues”) e um tal passeio por estes e mais pontos do país, ia além geografia yankee com sua contagiante levada, adicionada com sonoplastias de tiros de revólver, ao ponto de que a canção clamava por tal ato.

Os grupos e cantores que nos apresentam as diversas sonoridades que “Ride Your Pony” poderia assumir transportam seus gêneros musicais para os embalos convenientes, resultando em muitas versões décadas afora, além da original. A seguir, dez dessas curiosas versões.

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The Meters
(1970)

Vindos de New Orleans, “Ride Your Pony” pelas mãos do The Meters se torna um ardiloso soul funk, lotado de um órgão fazendo par à marcante linha de baixo original da canção. Lançada em 1970 no disco Struttin’, é uma das poucas canções cantadas no álbum, e é também representativa releitura dentro do universo groovy e do universo que se originou a banda.

The Troggs
(1966)

Em 1966 o The Troggs lançavam em seu disco de estréia, From Nowhere The Troggs, a versão mais cafajeste de “Ride Your Pony” existente entre as bandas da época. Com o inconfundível vocal de Reg Presley, banda acelera o andamento e transforma a canção em uma indiferença em estar petrificando qualquer tentativa de balanço, apenas se preocupando em criar nova – e sua própria – derivação à música.

The Tages
(1967)

Menos trogloditas, os suecos do The Tages imprimiram em sua versão de “Ride Your Pony” um belo vigor de banda, acompanhados por fartos instrumentos de sopro, em um ótimo e elegante arranjo. Todavia, por resquício de alguma insanidade, a sonoplastia usada para os ocasionais tiros-sonoplastia da canção mais parecem canhões de guerra desenfreados, em contrapartida aos tiros de espoleta da original.

Betty HarrisBetty Harris
(1968)

A mais perfeita leitura da canção, pelas vias da bela Betty Harris. Lançada de 1968, já posterior a alguns duetos ao lado de Lee Dorsey, em “Ride Your Pony” Harris imprime toda a sua potente voz, encharcada de compostura imponente, acompanhada por um robusto e desafiador arranjo. O fruto disso é a versão mais musicalmente arrogante da canção.

The Mohawks
(1969)

Responsáveis anteriormente pelo sucesso “Champ”, o The Mohawks, projeto de Alan Hawkshaw, famoso organista, imprimiam uma sonoridade característica dos grandes clássicos Hammond dos anos 60, em andamento mais lento, cadenciado, com belas passagens do instrumento no decorrer da faixa. O órgão substitui os vocais da original, e banda prossegue em ritmo hipnotizante, classudo.

Geno Washington & The Ram Jam Band
(1966)

Geno Washington bifurca em disparate de poucos minutos, nessa versão ao vivo de “Ride Your Pony”. Belo arranjo e a esbaforida, arranhada e apaixonada interpretação de Geno rumo a deixar toda a platéia extasiada e contagiada pela energia impressa em seus vocais e em seu entusiasmo.

Paul Revere & The Raiders
(1965-1966?)

A versão de Paul Revere & The Raiders é correta e comportada, permeando terrenos beat, com um órgão igualmente permeando toda a canção. “Ride Your Pony” foi uma canção não lançada pela banda na época, tendo visto a luz do dia apenas atualmente, em recentes coletâneas.

George FameGeorgie Fame & The Blue Flames
(1966)

Georgie Fame registra em “Ride Your Pony” sua particularidade em fazer versões de canções recriando-as à sua imagem e som. Ainda, simboliza sua admiração pelas sonoridades R&B modificando, nas citações dos territórios americanos da música original, uma certa casa que fez distante, alguma, talvez uma pouca muita diferença em sua vida (“Way west, where the grass is green/California, you know what I mean/New York City and Motown too [...]”).

The Fleshtones
(1982)

O The Fleshtones registravam a sua versão de “Ride Your Pony” em 1982, no seu primeiro disco, Roman Gods. Mesclando o R&B com algumas características do revival garage dos anos 80, registravam ainda mais pop a canção de Lee Dorsey.

Lee Dorsey

Lee Dorsey
(1965)

Dorsey começara tudo com sua versão original de “Ride Your Pony”. R&B pleno, inconfundível voz, Lee teria ainda outros grandes sucessos, em sua maioria compostos por Allen Toussaint. Toussaint foi um dos maiores e mais renomados produtores americanos, tendo trabalhado ao lado de nomes como Solomon Burke, The Meters, e composto canções como “Ruler Of My Heart/Pain In My Heart”, sob o pseudônimo Naomi Neville.