Documentário curtinho com a cena Hip Life ganense. Já falamos aqui do seu predecessor, o High Life , e essa produção em três partes explica bem sobre a cena e como seus artistas são produzidos . Em alguns trechos, é possível ver a semelhança com o funk daqui, com estúdios caseiros, simplicidade e dedicação. Apesar de narrado em uma lingua diferente, as entrevistas estão todas em inglês.
Apresentamos o High Life
Aqui na Action temos um quadro que rola de vez em nunca que é muito querido meu, o Mama Afrika never lets you down. É basicamente uma coletânea do que estamos ouvindo, ou ouvimos, e tem um peso considerável dentro da música, negra ou não, sendo que raramente postamos algo feito por brancos – vamos encarar, homens brancos não sabem enterrar ou fazer boa música*. A mãe África não é só um dos grandes temas dentro das canções de reggae, mas, sim, o verdadeiro berço de praticamente todos os grandes ritmos atuais. Nomeie qualquer um e você encontra ao menos uma raiz na África. Mas raramente falamos verdadeiramente de ritmos africanos, que nasceram, engordaram e continuaram por lá.
Aí que entra o tema, o High Life. É um ritmo que começou na Nigéria mas se estendeu pra Ghana, Serra Leoa e todo o resto da África, principalmente nos países falantes de inglês.As gravações de início, lá pelos idos de 1920, são lindas. Guitarras, trompetes, vocais cheios de alma. É até parecido com Calypso, se você considerar parte da percussão, parecido com Ska.
A.B Crentsil, um dos grandes guitarristas do Hi Life ganense
Se você encarar os metais, um vocal cubano, e trabalhadíssimo como o Jazz. As cantoras, negras, lindas, a dificuldade, as gravações feitas nos estúdios parcamente equipados da época, tudo conspira pra um som criativo, e, mesmo lembrando a estética caribenha, é único e novo.
É como se alguém tivesse pego o melhor dos ritmos negros da época e misturado tudo com classe no coração de onde vieram todos os outros, a África. Mas, como todos os outros, evoluiu com o tempo e foram-se adicionando elementos modernos. Sintetizadores, samples e beats são os grandes elementos do High Life moderno, com uma cara um pouco mudada, chamada de Hip Life. Assim como antigamente foram absorvidos ritmos caribenhos, agora também isso acontece, com influências do Soca e do Dancehall atuais. Caras como Daddy Lumba e Screwface são dois grandes atuais e inclusive tem audiência cativa em picos como Londres e Paris, cidades com fortes correntes migratórias africanas.
Como todo gordo anacrônico, eu lamento um pouco o fato do High Life original ter perdido a batalha tendo se entregue completamente as beats eletrônicas, ou, ao menos, ser inacessível deste lado do globo. Não que não curta o atual, é um ótimo ritmo dançante, mas o High Life clássico que é foda demais.
Pra quem quer ouvir mais, acesse o Museke, página de musica africana. Observe a data de nascimento dos músicos, isso indica bem o estilo de Hi Life que costumaram tocar.
* É um superlativo, claro que existem bons músicos brancos.



