Na história do reggae, desde o early reggae, passando pelo club reggae, dancehall e por todas as décadas da história do ritmo, regravações de clássicos do soul vertidos para os compassos e compactos jamaicanos marcaram época e criaram um universo aonde o que poderia ser apenas mais um pastiche mercadológico, um monótono sabor requentado, era na verdade uma verdadeira celebração de criatividade e transmutação do comum para algo muito mais além.
Exemplos como “Boogie On Reggae Woman” de Stevie Wonder em versão de Pat Rhoden, “Am I Black Enough For You” de Billy Paul na maravilhosa versão funk reggae do The Chosen Few, o adocicado soul “Make Me Yours” de Bettye Swann na voz de Phyllis Dillon, “I Can’t Make It Alone” da blue-eyed soul Dusty Springfield vertida por Dennis Brown, entre tantas outras, exemplificam o que os jamaicanos eram capazes na criação de hits em cima de canções que já eram sucessos.
Em 2006 uma cantora chamada Charmaine Burnette fez uma soberba versão reggae para o clássico do soul “Am I The Same Girl”, lançada em 1968 por Barbara Acklin. Mantendo a tradição do reggae meets soul, em sonoridade que relembra deliciosos sons de cantoras como Hortense Ellis e Cecille Campbell, Burnette revisita com propriedade uma canção que já foi devidamente banalizada sob o nome “Soulful Strut”, que nada mais é do que versão instrumental pelas mãos do The Young-Holt Unlimited.
“Am I The Same Girl” na versão de Charmaine Burnette foi lançada na coletânea feita pelo renomado DJ Florian Keller chamada Party Keller 2: Sons and Daughters Of Funk, Boogie, Soulful Reggae and Afrobeat, disponível para download aqui.



