Constipation dub

Marcozi, Thiago Cigano, Cabeção e o parceiro Dubkilla improvisando dub no Centro dos Estudantes de Santos. Destaque ao cover de Constipation Blues performado pelo Cabeça.

A Black Ark canadense, Jackie Mittoo e mais

Quando você fuça por aí sobre o Summer Sound Studios, você encontra que foi a versão canadense da lendária Black Ark de Lee Perry. Bem, fica difícil comparar com qualquer coisa criada pelo jamaicano, mas o que importa é que foi lar de muita gente boa nos anos 70 e 80. Há pouco tempo, inclusive, a Light In the Attic lançou uma boa coletânea abordando toda existência da label baseada em Ontario.

No vídeo a seguir, um trecho sensacional extraído do DVD que acompanha a compilação. Jackie Mittoo e Willi Williams improvisando e tocando idéia com a galera no estúdio. Emociona ver uma lenda jamaicana em um dos poucos momentos filmados de sua vida musical.

Lançado documentário sobre a vida de Lee ‘Scratch’ Perry, The Upsetter

The-Upsetter-The-Life-and-Music-of-Lee-Scratch-PerryMergulhe o cérebro na cândida e deixa absorver. É uma das únicas maneiras de ter uma experiência próxima à de ouvir Lee Perry, tema do documentário The Upsetter que, após sete anos de produção, é lançado oficialmente.
Já falamos muito do figura, e o fato é que o coroa influenciou praticamente todo gênero de música depois de seu surgimento há mais de 40 anos atrás. Estou longe de ser dubhead, mas ele vai além de definição de estilos. E nessa personagem tão complexa se baseia The Upsetter: The Life and Music of Lee Scratch Perry. Apesar de ter sido mostrado em 2008 no South by Southwest Film Festival, ele ficou guardado até seu debute oficial, no dia 1o de Abril. Acontece que o seu criador, Ethan Higbee, só para achar o sr Perry demorou um ano, até encontrá-lo num restaurante chinês na Jamaica. Daí até a etapa de liberação de direitos das músicas e a gravação da narração com Benicio Del Toro, foram 7 anos.
O filme de 90 minutos segue a visão do artista, por mais excêntrica que ela seja. Eles decidiram descartar as mais de 20 entrevistas feitas e usar tudo que saia da boca do Upsetter. Muita imagem com pouca qualidade de décadas atrás, como filmagens feitas depois do incêndio na Black Ark, em 78. A produção foi tão trabalhosa que Higbee, apesar de ter feito outros documentários musicais, como o The Carter, do Lil Wayne, disse que “parece que foi a única coisa que fiz na vida”.
Segundo alguns críticos que viram o filme, incompleto, em festivais, há, sim, uma vasta porção de material nunca visto do artista, mas que peca em não mencionar Adrian Sherwood nem Mad Professor. Ou em detalhar a fase dele depois do incidente no Black Ark, fase em que teve problemas com álcool, dando a impressão de que ele não fez nada entre 1980 e 2000, sendo que ele lançou ao menos 20 álbuns – sejam eles coisas novas, antigas fitas remixadas ou parcerias, como no caso do Meets Bullwackie in Satan’s Dub.
De qualquer modo, independente das críticas feitas ao filme mesmo antes de seu lançamento oficial, não tenho dúvidas de que é um filme que deve ser visto por todos os amantes de reggae. E de punk. E de rock. E de ácido.

Mergulhe o cérebro na cândida e deixa absorver. É uma das únicas maneiras de ter uma experiência próxima à de ouvir Lee Perry, tema do documentário The Upsetter que, após sete anos de produção, é lançado oficialmente.

Já falamos muito do figura, e o fato é que o coroa influenciou praticamente todo gênero de música depois de seu surgimento há mais de 40 anos atrás. Estou longe de ser dubhead, mas ele vai além de definição de estilos. E nessa personagem tão complexa se baseia The Upsetter: The Life and Music of Lee Scratch Perry. Apesar de ter sido mostrado em 2008 no South by Southwest Film Festival, ele ficou guardado até seu debute oficial, no dia 1o de Abril.

The-Upsetter-The-Life-and-Music-of-Lee-Scratch-PerryAcontece que o seu criador, Ethan Higbee, só para achar o sr Perry demorou um ano, até encontrá-lo num restaurante chinês na Jamaica. Daí até a etapa de liberação de direitos das músicas e a gravação da narração com Benicio Del Toro, foram 7 anos.

O filme de 90 minutos segue a visão do artista, por mais excêntrica que ela seja. Eles decidiram descartar as mais de 20 entrevistas feitas e usar tudo que saia da boca do Upsetter. Muita imagem com pouca qualidade de décadas atrás, como filmagens feitas depois do incêndio na Black Ark, em 78. A produção foi tão trabalhosa que Higbee, apesar de ter feito outros documentários musicais, como o The Carter, do Lil Wayne, disse que “parece que foi a única coisa que fiz na vida”.

Segundo alguns críticos que viram o filme, incompleto, em festivais, há, sim, uma vasta porção de material nunca visto do artista, mas que peca em não mencionar Adrian Sherwood nem Mad Professor. Ou em detalhar a fase dele depois do incidente no Black Ark, fase em que teve problemas com álcool, dando a impressão de que ele não fez nada entre 1980 e 2000, sendo que ele lançou ao menos 20 álbuns – sejam eles coisas novas, antigas fitas remixadas ou parcerias, como no caso do Meets Bullwackie in Satan’s Dub.

De qualquer modo, independente das críticas feitas ao filme mesmo antes de seu lançamento oficial, não tenho dúvidas de que é um filme que deve ser visto por todos os amantes de reggae. E de punk. E de rock. E de ácido.

Todos os samples utilizados pelos Beastie Boys para download

beastie-boys-sample-sourceThe Beastie Boys Sample Source Collection é o box set online lançado pela Miscreant Productions compilando mais de 300 canções que foram utilizadas no formato de samples durante os quase 20 anos e seis álbuns de estúdio na carreira de Mike D, Adrock e MCA.

De Led Zeppelin a The Jimmy Castor Bunch, de Elvis Costello a The Flaming Lips, de clássicos do hip-hop a gigantes da música negra como Jimmy Smith e Lee “Scratch” Perry, a caixa atesta a importância do trio ao explorar a técnica de samplear à exaustão – um dos casos sendo o clássico Paul’s Boutique – criar um marco na história da música e pavimentar um dos caminhos mais utilizados na música moderna até os dias de hoje.

O box set online é formado por seis pacotes disponibilizados para download grátis no site da produtora, que pode ser acessado neste link.

King Tubby, o rei gordinho

King Tubby, uma das maiores referências do Dub, nasceu com o nome de Ousborne Ruddock em 1941 em Kingston, Jamaica. O cara fez história como uma das maiores figuras do gênero, com sua tradicional coroa e tunes de derreter o coração de qualquer soundbwoy. Até hoje é citado como o inventor do remix.

Trampando no inicio com soundsystens como técnico, já que seu ofício era, na realidade, consertar rádios, após algum tempo formou sua própria, a Tubby’s HiFi. Foi um sucesso devido a qualidade sonora e o uso de echos e reverbs, que na época era novidade, mas depois iria eclodir em algo praticamente obrigatório em dubs e reggaes da época.

King-Tubby-Dub1

Depois de trampar como cortador de discos pro Duke Reid em 1968, o pai do Dub foi requisitado a tirar os vocais das tracks, o que foi feito. Porém, com toda a aparelhagem do estudio, ele pode perceber que partes podiam se ressaltadas, mudadadas, rolando fades, echos e reverbs. Quanto aos vocais, eram deixados quase sempre a última palavra de cada frase, alongada ao infito. Muitos toasters costumavam a usar para um diálogo, quando cantavam em bailes e sound systens. O cara fazia músicas mudando os instrumentais pré existentes, só diferenciando ênfases, dando folego a velhas musicas sem ter o trabalho de produzir novos sons além dos que já haviam.

Eram levadas em contas principalmenta a ‘cozinha’, ou seja, o baixo e a bateria, pilares do dub. Ele fez parcerias com produtores como Lee Scratch Perry, Bunny Lee e o Rei da escaleta, Augustus Pablo.

Aqui entra o toasting, feito pelos deejays, que era cantar em cima da música, que iam do slacking à louvação, em cima da musicalidade ‘psicodélica’ do dub. Nessa época se consolidaram toasters de sucesso, como U-Roy, que esteve recentemente no Brasil, como outros. Essa foi a época de ouro dos toasters, que agora tinham uma liberdade imensa para cantar em cima dos riddims deixados pelo Tubby, que na realidade eram regravações de Ska e Rocksteady, porém, com outro ritmo, as vezes não tão dançantes, mas tão marcantes quanto.

As gravações eram uma sacada de gênio. Alguém gravava uma música, o lado b, ou VERSION, como eram chamadas, eram colocadas no mesmo disco. Portanto, você tinha uma gama muito maior de sonoridades produzidas. Assim como o uso do mesmo riddim (ritmo) era usada em outras músicas, como sempre foi um costume jamaicano com hits. Bom exemplo disso é o riddim de Israelites, do Desmond Dekker, que inspirou inúmeras ‘cópias’, como o Melô de Leão, nome maranhense para uma pedrada com o mesmo ritmo do hit de Dekker. O problema dos dubs em discos eram que muitos deles, não só os de Tubby, como os do Upsetters e outros, ultrapassavam em vendagem tunes como as de Bob Marley, na época dos Wailers.

Ele praticamente se aposentou da música no final da década de 70, porém deixou pupilos como King Jammy e Scientist, que já veio ao Brasil. E deveria ter vindo com Lee Perry, que não subiu no avião devido à más vibrações. Mas essa é outra história.

O Rei morreria em 1989, quando um grupo o esperava fora de sua casa, numa possível tentativa de assalto.

Pessoalmente, os álbuns King Tubby e SoulSyndicate – Freedom Sound in Dub, com a track Leaving Babylon in Dub, com seu baixo forte e bateria initerrupta, impersona bem o que é o dub. Já o casamento King Tubby Meets Lee Perry com a track Perfidia Dub, é de chorar com a união da escaleta, o piano e um orgão marcante. Isso sem contar o Meet the Rockers Uptown, com o Augustus Pablo, conhecidissíma.

R. Darci