A Boombox, também chamada de Ghettoblaster, é um dos elementos mais importantes do Hiphop e um dos símbolos da cultura pop oitentista americana. O trambolho até hoje desperta uma aura cult, tendo até mercado nos Ebay’s da vida, com malucos em busca das aparelhagens que mais marcaram aquele período. Ainda que famosa pela proximidade com o rap, o aparelho fez parte do lifestyle de muita gente e teve presença destacada no cinema.
Introduzida ainda no final dos anos 70, nos Estados Unidos, a Boombox partiu do conceito personal stereo, onde, qualquer um poderia carregar e ouvir sua música favorita com qualidade. E o principal: sem depender da energia elétrica. Ao contrário do que muitos pensam, seu tamanho, no início, não era aquela monstruosidade conhecida por todos. Nos primeiros modelos, como o pomposo “Panasonic Portable FM/AM Stereo Cassette Recorder”, ainda era pequeno e com uma potência sonora bem inferior. Sem falar que eram pesados e caros-cerca de $150- para o tamanho que possuíam.
Na concorrência com a Panasonic, estava a Sony. Os japoneses lançaram em 1978 o” Sony CF-520″. O aparelho, que tinha um design mais arrojado, inspiraria tudo o que viria em matéria de Boombox nos anos seguintes: duas caixas de som bem demarcadas e a entrada para fita cassete no meio delas. Mesmo tendo sido importante na evolução, a Panasonic reinaria no final daquela década, graças ao lançamento do “RX-5040″, pioneiro em introduzir um indicador de energia das pilhas.
Veio os anos 80 e o Boombox ganharia oficialmente as alcunhas pela qual ficou famosa. Assim como Ghettoblaster, Boombox simbolizava o barulho emanado pelas caixas de som-Boom e Blaster-. Nesse período, um dos modelos mais famosos foi fabricado pela Conion, também lançada com o nome de Clairtone. Entre as grandes novidades, o peso da criança, 12kg, distribuidos em imponentes 70×40 cm. A aparência portentosa já mostrava uma qualidade sonora bem superior ao dos demais, e inovava: tinha uma sirene anti furto. Sim! Tá aí uma das coisas mais geniais que algum fabricante de eletrônicos poderia fazer. Em tempos violentos como aqueles, justifica-se o sucesso deste modelo.
Ainda naquela década, a Panasonic ainda era top no mercado que ganhava um nicho bastante especial: a galera do breakdance. Modelos como “Panasonic RX-5050″ recebiam funções de equalização e leds informativos de volume e pilhas. Marcas como Sanyo e sua monstruosa “Big Ben” e a JVC, rivalizam e produziam modelos cada vez maiores e cheios de parafernalhas. A batalha pelo som perfeito ficava tão acirrada que, uma Boombox comum, consumia inacreditáveis 8 pilhas grandes. Estava proclamada a Golden era da Boombox. Contudo, as megalomanias dos fabricantes parecia não ser apenas em matéria de potência sonora. Boomboxes com entradas para microfones, para caixas extras, com turntables embutidas e pasmem, com um mini sintetizador acoplado, faziam o preço subir exorbitantemente, e consequentemente, deixar a grande maioria a ver navios, dando preferência os modelos mais tradicionais, que também não eram muito baratos.
Nesse panorama de preços altíssimos, muitos consumidores preteriram a Boombox, e piravam no novíssimo Walkman. Equipamentos mais baratos e de qualidade duvidosa, também faziam parte das escolhas, em detrimento da Boombox. Os fabricantes, perceberam a diminuição das vendas, e, a partir de 1984, produziriam modelos cada vez mais humildes e sem muitas funções. A golden era da Boom Box havia oficiamente acabado, pelo menos para os mais saudosistas, que sentiam saudade dos equipamentos mais clássicos e potentes dos anos anteriores. Daí para frente, marcas genéricas, chinesas e dos mais diversos confins do planeta invadiram as lojas, saturando o mercado. A Sony ainda tentou inovar lançando um modelo com Cd-Player em 1986(!), mas não surtiu o efeito esperado.
Mesmo com esse final não muito feliz, é impossível não reconhecer a importância enorme que a Boombox teve. Só no cinema, por
exemplo, o aparelho aparece destacado em vários filmes. No maravilhoso clássico “Do the right thing”, do Spike Lee, o inesquecível Radio Raheem portava sua Boombox e vagava por todo o bairro Bedford-Stuyvesant. Não tem como esquecer da impagável cena em que Raheem vai a loja dos coreanos comprar aquelas gigantescas pilhas e se irrita com os asiáticos que não sabiam falar inglês direito. Já em “Krush Groove”, filme sobre a Def Jam Records e com os mitos Fat Boys, ela também está lá, sendo levada pelo trio mais genial e adiposo da história do rap. Até mesmo em filmes em que o rap não faz parte, como “Clerks”, de Kevin Smith, a Boombox dá o tom e aparece com a dupla de traficantes Jay & Silent Bob. Na tracklist dos caras, heavy metal e coreografias geniais durante as cenas.
Em tempos que a tecnologia se supera a cada dia, fica até difícil imaginar que um aparelho de aparência mostruosa, fazia parte da paisagem urbana dos bairros mais periféricos dos Estados Unidos. O resgate e o culto em cima delas, perdura até hoje. Lojas online vendem verdadeiras raridades do período, fãs postam no Youtube sons sendo reproduzidos por elas e até bolsas em formato de Boombox pipocam no descolado mercado da moda. Bons sinais de que, muita coisa bacana do passado não se perdeu. Obsoletas para alguns, assim como os toca discos, elas ainda estão nos corações de muitos entusiastas.
Abaixo, uma galeria com fotos de alguns modelos citados na matéria!





