
No alto dos seus 87 anos, esse americano com nome estranho ainda dá aulas na “New School For Jazz and Contemporary Music”, em Nova York, e consegue ter tempo para fazer turnês com sua banda de apoio, o Euphoria. Chico Hamilton é um puta baterista e letrista. Não digo isso pelo virtuosismo cretino que a maioria aplaude mas não entende, mas o feeling nas baquetas é coisa de quem cresceu com a música.
Teve um crash course na música tocando, jovem, numa banda com o Charlie Mingus. Daí partiu pra tocar com nomes como Lester Young, Count Bassie e Nat King Cole. Ou seja, ele tinha todas as lendas da música americana como colegas de banda e fez mais parceria que a Ivete Sangalo no verão. Gravou o primeiro álbum em 55, já estreando na colosso Pacific Jazz, cujo catálogo é atualmente controlado pela Blue Note.
Hamilton é considerando um dos maiores destaques da West Coast Jazz, gênero dos lados de Los Angeles e Frisco, mas o tesão maior de ouvir ele é na fase soul jazz, se você for dos nossos, ou do período Hard Bop, se tiver um bom ouvido pra música. São duas eras de destaque, com o maior feeling nas baquetas. Recomendamos o The Dealer, de 66, que conta com o Euphoria. Dançante e classudo, mas sem ser tão porralouca quanto seu Hard Bop. O americano, apesar de ter o jazz como sua base, flertou muito com o lado soul e funky da coisa, lado que trouxe seu reconhecimento como músico. Mais que merecido, por sinal.



