Chris Piascik, o cara por trás do cartaz da tour do Mayer Hawthorne

Fucei, fucei e não achava informação. Porém, a agência A-Side Worldwide, que maneja a carreira do soulman, nos deu a resposta. O trampo do rapaz é incrível, basicamente feito de tipografia e extremo bom gosto nas cores. Além do cartaz da tour, Chris foi responsável pelo typedesign do novo disco do Mayer. Já que fazia tempo que não escrevíamos sobre design por aqui, tá aí um bom modo de voltar ao assunto. Visitem o portfolio do artista para mais trabalhos sensacionais.

Cartaz do Phono 73

Coisa linda o pôster do Phono 73, aquele festival polêmico onde Chico e Gil tiveram seus microfones cortados por ordem da polícia. Os shows iriam se transformar em um documentário que acabou nunca saindo. Quer dizer, até saiu. Guga de Oliveira, autor das imagens, e a Phonogram, atual Universal, tiveram alguns problemas e o arquivo se deteriorou a ponto de apenas 35 minutos terem sido lançados trinta e oito anos depois.

Viva Cuba! A era de ouro da arte na ilha

3490901535_a57cb1b11a_bO leitor que frequenta a Action deve ter diversos motivos para nos acompanhar. Curte as matérias de música negra, as crônicas dos colaboradores, tem tara por gordos ou gosta dos cartazes que a gente produz. Pois bem, a arte cubana, mais especificamente a pós revolução, é uma das grandes influências do coletivo e é dela que falaremos hoje.

Depois da ascenção de Fidel Castro ao governo cubano, todas as agências publicitárias da ilha foram nacionalizadas. Os donos inconformados sairam do país em busca de outras oportunidades. O restante ficou no país e teve que encarar uma realidade totalmente diferente da que eles viviam. Ou seja, trampar com caras do governo e produzir para eles.

Com isso, surgiram dois grupos de criação para executar as tarefas. O primeiro, chamado de Consolidado de Publicidad, que cuidaria somente dos contratos de publicidade existentes até 1961. Já o Agencia Intercomunicaciones se encarregou de cuidar de todos os orgãos do governo, de ministérios à empresas.

Como todo momento de transição, o número de fechamentos, fusões, fundações é absurdo e confuso. Mesmo assim, temos que ressaltar  a criação de outros três importantíssimos orgãos que fomentariam a produção artística cubana nos anos seguintes: o Instituto Cubano del Arte, a Industria Cinematográficos(ICAIC) e a Casa de Las Américas. Cada orgão teve artístas e produções específicas, de revistas a cartazes impressos em serígrafia.

Como a demanda de trabalho era grande, os artistas chegavam a produzir um por semana. Que já  era muito, para toda a tecnologia disponível na época. Com562384758_76ed58075f_o esta urgência,  tiveram que adotar soluções eficientes. Talvez aí uma das grandes razões do estilo próprio que foram desenvolvendo ao longo do tempo. Aliás, seria cansativo mencionar todos os artistas que fizeram parte disto sem cometer alguma injustiça. Ainda mais com a fundação de mais outro orgão do governo, o Consejo Nacional de Cultura(CNC). As criações deste grupo eram basicamente voltadas para eventos e instituições culturais, além de ilustrações para revistas.

Já os cartazes cinematográficos do ICAIC, foram os baluartes da arte cubana nessas décadas. Não eram meras peças impressas em serigrafia retratando os filmes produzidos dentro ou fora da ilha. Eram o reflexo de uma geração jovem, com ânsia de realização dentro de um panorama de mudanças e sonhos de uma vida mais justa. Daí o numero de cartazes experimentais e de vanguarda.

O intercâmbio promovido com professores e artistas poloneses – outro país com uma produção fabulosa de cartazes- serviu de aprendizado e reconhecimento para os artistas da ilha. Um exemplo da quantidade e qualidade desta produção foi a exposição organizada pelo Instituto Cinematográficos(ICAIC) em 1979. Na data comemorativa dos vinte anos de sua fundação, mais de mil cartazes de cinema foram exibidos. Um número de causar espanto a qualquer um.

3497803336_27964fe154_bO reconhecimento no mundo, felizmente, já viera anos atrás, quando os trabalhos dos artistas cubanos fizeram parte de exposições mundiais como a de Montreal e a de Osaka. Ambas no final da década de 60. No repertório das exposições, os belos cartazes de cinema, eventos culturais e propagandistas.

Esse ambiente fértil para as criações durou cerca de dez anos. Com o fim dos regimes comunistas europeus na década de 90, o apoio financeiro diminuiu e a produção e a qualidade também. É raríssimo você encontrar algum trabalho que se equipare aos anos 60 e 70. Creio que dificilmente os cubanos conseguirão chegar a um nivel tão alto de qualidade como antes.

Pelo menos, de uns tempos pra cá, a divulgação desse fértil período aumentou novamente, tanto em Cuba como em outros países. Aliás, um dos grandes motivos de termos escrito essa matéria, é a exposição sobre o assunto que está rolando em São Paulo. Quisemos motivar vocês a irem ver, vale muitíssimo a pena.

Abaixo, deixamos os dados da expo:

Exposição de Cartazes Cubanos:
Data: de 5 de agosto a 13 de setembro
Local: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111, Galeria Betetto
Horário: 9 às 21.
Recomendação etária: Livre.
Entrada: Grátis
Informações: (11) 3103-5723 e http://www.caixacultural.com.br