Semáforo

O sinal para pedestres fechou. Corri, mas fiquei ilhado naquele pedaço de calçada que separava as duas metades da avenida. Precisaria esperar o sinal abrir novamente para atravessar.

Vindo do outro lado da rua, era ela. Não podia acreditar. Não conseguia respirar. Congelei. Usava uma saia vermelha, uma blusa branca e tênis marrons. Estava bela como em todas as outras vezes que a vi. Adorava o seu estilo. Queria tirar uma foto e guardar aquele momento para sempre.

Também usava óculos escuros. Nós dois usávamos. Por causa disso não sabia se ela me via. Mas percebi o momento em que ela chegou. Ficou parada na minha frente separada pelos carros e seu rosto se fixou na minha direção. Ela tinha me visto.

Se não usássemos os óculos isso não teria acontecido. Por que tinha que fazer tanto sol justamente naquele dia? O que fazer? Acenar para ela? E se ela realmente não estivesse me vendo? Ia ficar com cara de babaca no meio da rua.

Sem os óculos, nossos olhares se cruzariam e pararíamos para conversar.

Queria pegar ela e levar para a praia naquele momento. Afinal, estávamos tão perto. Era só andar mais duas quadras e sentiríamos a areia batendo na nossa cara. Ela ia se atrasar para o trabalho, mas não faz mal. Estaria comigo.

Ela olhou para o semáforo. Ainda estava verde para os carros. Depois olhou para mim novamente. Eu sabia que ela olhava para mim. Sem saber direito o que fazer, também olhei para o semáforo. Continuava verde.

Os carros pararam. O sinal para eles fechou. E para nós abriu. O que eu fazia agora? Parava ela? Puxava ela? Tínhamos que andar. Um passo depois do outro. Ela estava do meu lado. Aparentemente também não sabia o que fazer.

Passei por ela. Não fiz nada. Ela também não. Merda. Apenas continuamos seguindo os nossos caminho. Não olhei para trás.