
Tony Christie é um mero desconhecido para os que vivem fora do Reino Unido. Por lá, o crooner emplacou hits que influenciaram gerações e mais gerações, do underground northern soul ao mod e britpop. Com 68 anos e a mesma pompa de galã de outras épocas, o homem lançou um discão este ano. Saiu pela Acid Jazz do Eddie Piller, label tradicional no quesito boa música e bom gosto nas produções.
Intitulado Now’s the time!, o álbum mistura vários momentos de Tony nos seus 50 anos de carreira. A produção tem fundação no soul, costumeiro desde o início como músico. E isto casa muito bem no clima de soundtrack que envolve as cancões, como em I Thank You e Longing For You Baby, com backing vocals e uma coisa meio flamenca na levada. Tendo começado nos anos 60, o músico ainda usa várias referências que imperavam nas produções da Motown e de boa parte da música negra consumida pelos jovens da época. Um bom exemplo é a suave Nobody In The World, que lembra a famosa combinação piano e bateria dos Funk Brothers. A faixa é tão bacana que foi a primeira a virar single, no início do ano.
Para os que gostam de uptempo, o disco tem várias delas, a faixa título Now’s the time! tem metais em crescendo e bateria que parece vinda do breakbeat inglês. Em Workin’ Overtime, a batida diminui de velocidade, mas o clima de baile se mantém, dando espaço para solos de saxofone que fazem qualquer fã de soul ficar boquiaberto com tamanho esmero dos produtores Richard Barrett e Michael Ward.
Fechando com chave de ouro, Jarvis Cocker, que dispensa apresentações e Roisin Murphy, do duo Moloko, também dão as caras. Colaboradores e acima de tudo fãs deste senhor que com o lançamento se reinventa e traz consigo todo aroma de uma época de ouro da Swinging London para novas e velhas audiências.



