Rebeldes do soul

teenagers2Nos últimos dez anos, a soul music foi redescoberta por uma série de artistas e produtores que deram não só uma nova visão para o estilo, como apresentaram para as novas gerações ávidas por novidades. Apesar do abunde de produções que surgiram, foram poucos os que conseguiram atingir o objetivo de continuar o legado dos grandes mestres dos anos 60 e 70. Neste mesmo periodo, a globalização de estilos e comportamentos permitiu que lugares até então virgens, começassem a ter suas primeiras bandas influenciadas pela música negra.

A Espanha é um destes lugares e é dali que vem uma das boas novidades em matéria de soul nos últimos tempos, Al Supersonic & The Teenagers. O grupo lançou no mês passado seu disco de estréia, “Not too young”, obra com um arroubo de influências dentro da sonoridade black.

O disco, lançado pela alemã Unique e disponibilizado em vinil e cd mostra um outro lado da soul music que vem ganhando cada vez mais a cabeça dos fãs, o northern soul. A vertente ficou popular nos allnighters do norte da Inglaterra nos anos 70 e se destacava por ser uma versão mais dançante e crua do ritmo. Junto com essa influência, veio a paixão pela música jamaicana de Jackie Mittoo, Ken Boothe e muitos outros reggaemen. Tudo isso está presente neste debut dos espanhóis.

Em “To be young”, faixa inicial, já dá para sentir o que vem pelos quase quarenta minutos: uma produção classuda, metais coesos e os maiores destaques, o vocalista Al Supersonic,-dotado de um inglês macarrônico mas uma voz potente, digna dos grandes cantores de soul- e Vanessa Spin, a pianista que, sem buscar o virtuosismo, emociona e mostra um repertório variado no piano e no orgão Hammond. Com temática romântica em boa parte do disco, faixas lentas como a singela “It must be love” e “Keep on walking”, onde o orgão ganha uma levada reggae e quebra o ritmo uptempo de faixas mais dançantes como “Stand by me”, com vários “uh, uh” e um refrào libertador e “Rumours”, verdadeira pérola da soul music contemporànea, com introdução empolgante e baixo que dita todo o decorrer da cancão.

“Not too young” é essencialmente romântico, mas sem apelar por longas divagações amorosas e clichês irritantes. É doce na medida certa. Por sua curta duração e conter apenas doze faixas, é inevitável depois de sua audição não ter o desejo que o disco fosse mais extenso. Intencional ou não, a estréia de Al Supersonic & The Teenagers mostra rebeldia apontando novos rumos a sonoridade soul.